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Inteligência artificial: nova aliada na prevenção de deficiência em bebês.

Saúde

inteligência artificial prevê deficiência em bebês

Cada bebê vem ao mundo carregando uma história única, e aqueles que nascem com alguma deficiência, chegam trazendo desafios inesperados para os pais. O amor não é menor – pelo contrário; é até maior. Mas os desafios existem e é preciso coragem para enfrentá-los.

Não estamos falando de casos isolados: segundo o Censo do IBGE 2010, 23% da população geral do Brasil tem alguma deficiência e estima-se que, ao menos, 7,5% das crianças brasileiras (até 14 anos de idade) têm uma deficiência diagnosticada.

Esses e outros dados significativos sobre o universo das pessoas com deficiência estão presentes na Cartilha do Censo 2010 Pessoas com Deficiência, lançada em 2012 pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. 

PESQUISAS AUXILIAM DESCOBERTA DE DEFICIÊNCIAS EM BEBÊS

Mas será possível prever deficiências em bebês? Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), apontam que 70% das deficiências em todo o mundo poderiam ter sido evitadas.

Na Universidade da Califórnia do Sul (USC – EUA), em conjunto com a Universidade Carlos III, de Madri (Espanha), uma equipe começou a desenvolver uma solução com a ajuda de inteligência artificial.

Bastante inovador, o método utiliza um algoritmo que classifica padrões de movimento dos membros para prever se um bebê é suscetível a desenvolver déficits neurológicos.

Determinadas variáveis indicam a possibilidade de uma deficiência futura. Segundo os pesquisadores, “frequência de chute, organização espaço-temporal e coordenação inter e intramuscular são diferentes entre bebês com desenvolvimento típico e bebês em risco”.

Para a pesquisa, foram considerados bebês que apresentam deficiência intelectual, mielomeningocele (defeito congênito que afeta a espinha dorsal), síndrome de Down, bem como bebês nascidos prematuramente.

Por meio de dados de movimento de motores coletados de acelerômetros, giroscópios e magnetômetros presos aos tornozelos dos bebês, fornecidos pelo Laboratório Infantil de Controle Neuromotor da Universidade, foi possível prever atrasos de desenvolvimento nos bebês participantes do estudo.

Os dados alcançados com o uso do algoritmo impressionam: na faixa etária de seis meses de vida, chegou-se a 83,9% de precisão, e na faixa 6 a 12 meses, a precisão no acerto foi de 77%.

Reconhecendo a importância do projeto, os pesquisadores afirmam que “atualmente, os atrasos no desenvolvimento não são diagnosticados até que um bebê tenha dois anos de idade, impedindo que muitos recebam intervenções precoces”.

É assim que eles reacendem a esperança de milhões de famílias em todo o mundo, pois “o algoritmo de predição confirmaria que atrasos de desenvolvimento são refletidos no movimento de bebês nos primeiros meses da infância e, assim, permitiria que mais bebês recebessem intervenções precoces e direcionadas”, afirmam.

ESTUDOS AVANÇAM EM TODO O MUNDO

A pesquisa para o desenvolvimento da detecção de deficiências avança em todo o mundo, especialmente nas universidades e demais instituições científicas.

Um estudo da revista médica The BMJ, realizado em 2017, diz que complicações no parto podem levar a distúrbios cognitivos (que afetam entre 25 e 40% dos bebês prematuros) e físicos com mais frequência nas fases seguintes da vida.

O estudo revela também que bebês prematuros têm taxas mais altas de atrasos no seu desenvolvimento, especialmente na linguagem.

A teoria publicada no periódico norte-americano é reforçada pela Faculdade de Medicina da USP: uma análise revelou que 55,6% dos bebês prematuros que estavam sendo acompanhados apresentavam algum tipo de alteração de linguagem.

EM BUSCA DAS POSSÍVEIS CAUSAS

As causas das deficiências podem ser as mais variadas possíveis. Embora alguns casos sejam de origem genética, as deficiências também podem surgir no período de gestação, em decorrência do parto (ocorrendo mais vezes quando este é prematuro) ou nos primeiros dias de vida do bebê. 

Também fazem parte da lista de possíveis causas as doenças transmissíveis ou crônicas, perturbações psiquiátricas, desnutrição, abusos de drogas, traumas e lesões. Cada uma dessas causas pode resultar em complicações futuras, e a ocorrência de várias ao mesmo tempo aumenta as chances de sequelas no bebê. 

Uma pesquisa da USP com estudantes das Apaes revelou que 35% dos alunos têm problemas genéticos, sendo hereditária a causa em 15% dos casos – passado de geração para geração -, enquanto o uso de álcool e de drogas na gestação são apontados como responsáveis por 45% dos casos de deficiência.

Para a equipe responsável pela pesquisa, o estudo é importante porque muitas famílias não sabem do risco da transmissão genética das deficiências e a investigação das causas e origens do distúrbio não é uma rotina na rede pública de saúde.

Os médicos ressaltam que exames e um bom atendimento pediátrico nas primeiras horas de vida extrauterina são muito importantes. Durante e após o parto também podem surgir infecções que podem resultar em meningite e lesão do sistema nervoso central, que podem acarretar em alguma deficiência. 

Em qualquer caso, o atendimento especializado desde os primeiros dias de vida é que vai garantir o melhor prognóstico para o bebê.

LIDANDO COM O DIAGNÓSTICO

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Diante de um diagnóstico inesperado como o da deficiência, surgem muitas dúvidas que podem trazer apreensão e angústia. Por isso, é essencial receber o diagnóstico o mais cedo possível, de forma que toda a família possa se informar e se preparar adequadamente para a chegada do bebê.

É preciso diminuir a angústia e reinventar o relacionamento de acordo com os limites da criança que vai chegar. Afinal, quando nasce um bebê, também nascem uma nova mãe e um novo pai. E um bebê com necessidades especiais, precisa de pais e mães especiais.

O importante é se preparar para receber com amor o bebê, respeitando os seus limites e buscando formas de ajudá-lo a superar cada um desses. O progresso do seu crescimento vai depender muito de como os pais se ajustaram a esse novo mundo.

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

De forma geral, o recomendado é que todo bebê prematuro receba o acompanhamento de um profissional desde o nascimento, a fim de garantir o tratamento e o melhor prognóstico para o seu caso.

Para ajudar os pais a perceberem se há algum tipo de deficiência, é importante que eles acompanhem muito de perto o desenvolvimento do bebê. Eles devem observar primeiro o atraso na aquisição das primeiras palavras, que deve ocorrer, em média, por volta de 1 ano e 2 meses. 

É indispensável acompanhar também a expansão do repertório de palavras: quando a criança começar a falar as primeiras, deve-se observar se o aprendizado das novas palavras é mais lento se comparadas às crianças da mesma idade.

E é claro, seja qual for a deficiência da criança, é de extrema importância que os pais tenham cuidados adequados com seu filho, proporcionando amparo afetivo e ambiente propício para o seu desenvolvimento em todas as fases da vida.

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