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#EuPCD: todos tem suas limitações, mas eu escolhi superar as minhas

Estilo de vida

*Por Isadora Ramos

 

Eu era casada por 2 anos e 7 meses com uma pessoa maravilhosa, um presente de Deus para mim. Ele não era só um esposo: ele era um amigo, um irmão, um líder espiritual. Estávamos vivendo uma fase onde tudo estava dando certo em nossas vidas, um verdadeiro conto de fadas. Só que, quando íamos para um culto de moto em Icó, um motorista embriagado colidiu frontalmente conosco. Foi nesse momento que eu vi toda minha vida mudar.

 

Quando fomos resgatados, eu perdia muito sangue e sentia minha perna muito fria. Ao ver a situação da perna, eu sabia que se sobrevivesse, provavelmente sofreria uma amputação. Mas isso não importava: eu só queria viver. Passei por 11 cirurgias com dores que nem morfina aliviava e, como imaginei, tive que amputar meu membro. Descobri, depois de duas semanas na UTI, que meu marido não tinha resistido. Ainda assim, eu não desisti de viver.

 

Desde então, eu coloquei na minha cabeça: eu usarei uma prótese. Os médicos me disseram que seria possível o uso e assim me tranquilizei. No começo, é muito difícil, porque você fica imaginando como tudo vai ser. Só que depois você percebe que na vida a gente se adapta a tudo.

 

Eu tinha duas escolhas na vida. Ou eu ficava parada vendo o tempo passar, me sentindo inválida, ou mostrar para todo mundo que eu poderia fazer qualquer coisa independente da minha “limitação”, bem entre aspas. Ao sair do hospital, já comecei a fazer a fisioterapia, tendo passado um tempo na cadeira de rodas, por apenas duas semanas.

 

Logo fui para a muleta, mas a adaptação foi super difícil. Hoje já faço qualquer coisa com ela, mas o meu sonho era ter as mãos livres. Quando você usa as muletas, você não perde só a perna, perde também os braços e eu não queria isso. Foi quando surgiu um concurso, feito pela Össur e eu tive a oportunidade de ganhar a prótese e as sessões de treinamento em Belo Horizonte.

 

 

 

Agora você imagine o que é sair de uma cidade do interior do Ceará para vir em Belo Horizonte. Fácil não é, mas não seria esse obstáculo que iria me impedir. Precisava de recursos para vir à BH e logo já consegui um local para ficar, graças a uma família que me ajudou em todo momento. A cidade de Icó, de onde eu vim, se juntou para me colocar no avião e logo consegui as passagens de ida e volta para a capital mineira.

 

As sessões duravam o dia inteiro. É como se você aprendesse a andar novamente. É um passo de cada vez, sem pressa. A dificuldade ainda era maior por eu ter ficado dois anos sem andar, além das fraturas na bacia que sofri. Mas não existia problema que fosse maior do que eu.

 

Depois de perder a perna, comecei a reparar em pequenas coisas. Achava maravilhoso quando alguém voltava com um copo de água na mão. Por conta da muleta, não conseguia fazer isso. Foi então que, nos primeiros dias que tive estabilidade com a prótese, peguei um copo d’água e a emoção não coube em mim.

 

Nós, como pessoas com deficiência, precisamos entender que todos tem suas limitações. Apesar das dificuldades, apesar dos problemas, nós mostramos todos os dias que podemos vencer as barreiras. Se eu puder mostrar as pessoas que não existem problemas que não possam ser vencidos, eu já fico feliz. Foi por isso que sobrevivi.

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Comentários:

Élyda:
Que história mais linda, me emocionei. Deus nos ama incondicionalmente, devemos agradecer por cada detalhe, por cada nova oportunidade que elé nos dá, porque a nossa vida está no controle de Deus, só ele sabe até onde devemos ir. Amei muito a sua história, que este testemunho possa ajudar muitas pessoas, que Deus continue te abençoando sempre. Parabéns ❤❤

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