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#EuPCD: quando encontro desafios em meu caminho, eu os enfrento

Estilo de vida

 

*Por Mel Rodrigues

A dança sempre me inspirou, assim como calçar minhas sapatilhas de ponta e deixar a música me conduzir. Quando danço, recarrego as energias e esqueço dos problemas. Nunca imaginei abrir mão de algo que eu amo, nem mesmo quando me tornei uma PCD.

 

Eu tinha apenas 17 anos quando sofri um grave acidente de moto. Enquanto esperava por atendimento, acabei contraindo uma infecção no osso, chamada Osteomielite Crônica. Se apenas o nome já é capaz de causar arrepios, não queira imaginar a dor que causava.

 

Durante 13 anos fui submetida a 36 cirurgias em busca de uma melhora que nunca vinha. No começo, os médicos tinham falado sobre amputação, mas eu não compreendia a gravidade da minha condição e, por isso, continuei lutando contra o inevitável.

 

Meus movimentos foram ficando cada vez mais restritos, e ter uma vida normal se tornava apenas uma vontade. Dançar também estava deixando de ser uma opção. Nesse momento, meu único pensamento foi: e agora? E foi assim que me tornei uma pessoa PCD.

 

Nunca duvidei da minha capacidade de superação, nem mesmo depois de passar por um divórcio estando grávida da minha filha. Minha família foi a minha base durante todo esse período, me ajudando sempre a encontrar forças para continuar lutando.
Foi difícil deixar de ser uma “pessoa normal” para tornar uma “pessoa com deficiência”. Durante muito tempo, optei pelo silêncio. Eu não queria me abrir com estranhos, mas ao aceitar ajuda profissional, pude enxergar uma mudança na minha vida.

Universo da dança como PCD

Um dos maioreBailarina Mel fazendo uso de proteses desafios que enfrentei foi voltar à dança. Como eu poderia viver sem uma parte tão importante de mim? Mesmo depois de ouvir que eu jamais voltaria a dançar, continuei focada na minha fé, na minha crença em Deus e na minha determinação.
A bailarina experiente voltou a ser uma dançarina iniciante, aprendendo novamente a executar passos que antes eu fazia sem qualquer dificuldade. Não é fácil para pessoas com deficiência se adaptarem ao uso de uma prótese, estejam elas andando, correndo ou dançando.
Sei que muitos enxergam a prótese como um limitador. Não duvido que muitas pessoas acabam deixando de fazer atividades que amam pela complexidade que é se ajustar à sua nova condição, mas nunca permiti que isso acontecesse comigo.

 

Eu sempre fui motivada pelos desafios, e a maior prova de que somos maiores do que as nossas limitações foi ter sido chamada para dançar em Bruxelas, na Bélgica. O convite veio do próprio governo, e tive a honra de poder fazer minha apresentação no Parlamento Europeu.

 

E a lição que tiro disso tudo? Ninguém recebe um fardo maior do que é capaz de carregar.

 

No mundo da dança, existem projetos voltados para os PCD como a Associação Fernanda Bianchini, o Dança Sem Fronteiras, além de um projeto de tango da Companhia Genética.

 

A minha história não é diferente de tantas outras, que poucas vezes se tornam conhecidas. A minha luta é diária, mas eu a enfrento com um sorriso no rosto e a mente limpa, sabendo que as dificuldades vão passar.

 

O mundo ainda está se adaptando às nossas condições de vida, tanto em relação à nossa acessibilidade quanto ao custo elevado dos materiais ortopédicos. Na teoria, todos têm direito a uma boa qualidade de vida, porém na prática ela não é tão boa assim, mas isso não me abala.

 

Para todos que estão passando por problemas, aconselho a sempre acreditar que o amanhã será melhor do que o hoje. A minha arma, que eu quero compartilhar com vocês, é sempre acreditar que você nunca está sozinho.

 

Como sempre me apoiei na fé, sempre acreditei que Deus estava ao meu lado e que na minha caminhada ainda estará, ajudando a evoluir diante os obstáculos que enfrento.

 

Não existe uma vida sem desafios. Sendo PCD ou não, encontramos empecilhos em nosso caminho e passamos por momentos de incertezas.

 

Nosso maior problema é não confiar na nossa capacidade de superação. Mesmo sem querer, nos boicotamos e criamos barreiras intransponíveis quando, na verdade, o maior problema é ter medo de mostrar ao mundo que somos capazes de muito mais do que ele pensa que estamos preparados.

 

Não existe um mundo perfeito, mas no meu mundo ideal, todos seriam iguais. Nós acreditaríamos que somos iguais aos outros, e eles nos veriam da mesma forma, sem julgamentos. Apenas com respeito e altruísmo.

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Comentários:

Olinda aparecida luz barros:
É amiga eu sei oque vc passou pois comigo foi igual vc sabe nos conhecemos tbm amputados na mesma época vc me inspirou vc uma guerreira aprendo muito com vc um vc sabe passei por outra amputação nas outra vez eu estou vencendo pois temos de ser fortes determinados Abraço a vc sucesso

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